Pacientes idosos: como lidar com a família sobre cuidados paliativos.

Hoje farei um post um pouco diferente do que geralmente posto aqui (posts informativos), para um post mais sobre uma opinião ou um desabafo, referente a algumas experiências que estou vivendo atualmente. Espero que isto ajude a alguns profissionais da saúde que assim como eu, ficam com o coração apertado em certas situações. Todos os casos aqui não expõem a identidade de nenhum paciente assim como descrito no código de ética.

Pacientes idosos são muito legais de se atender, particularmente. Adoro observar a evolução de cada um, mesmo que discreta, porém significativa.
Estou com a agenda somente de idosos neste mês de junho nos meus atendimentos Home Care, e tenho algumas notas e reflexões para deixar aqui, compartilhado com vocês, fisioterapeutas e outros atuantes da área da saúde. 

Uma paciente que me fez refletir muito, foi uma de 91 anos, com 3 AVCs, hemiparesia do lado direito. Tínhamos 15 sessões, e até a 11°, a mesma estava ótima, só faltava pular. Infelizmente, de uma sessão para a outra (diferença de 1 dia), a mesma teve uma piora abrupta, com seu risco de queda aumentando drasticamente, sendo que a mesma estava até indo ao banheiro sozinha. Não tenho ciência da causa desta piora ainda, pois a família está aguardando exames.
Muito triste esse caso, porém o que me fez refletir nisso tudo foi a família. Uma parente da paciente estava querendo que eu "pegasse pesado" (palavras dela) com a paciente, sendo que ela tem 91 anos. Ao invés de notar a melhora da paciente, a mesma aparentemente queria que a mesma voltasse ao auge dos seus 40 anos, correndo e fazendo tarefas como cozinhar ou ir a uma festa. Expliquei de forma ética sobre a questão do "gráfico" idade x melhora do quadro, conforme a individualidade, e a familiar provavelmente entendeu, talvez a explicação técnica, porém não a sentimental.

É de extrema importância a terapia para muitas pessoas, faz bem. Pessoas com familiares acamados, com doenças terminais ou ao final da vida, devem entender que a fisioterapia paliativa nada mais é do que trazer vida aos anos! Tratar sintomas, trazer qualidade de vida e promover a independência funcional dentro do possível. Também já ouvi o questionamento de familiares de outra paciente de 95 anos após uma internação por pneumonia que durou 2 meses, se ela iria voltar a andar, sendo que a mesma não consegue ficar 1 minuto em pé (ortostatismo), que sente muita dor. Colocamos na balança, vale apena forçar este sofrimento? Após explicar a família que existe a possibilidade de que sim, mas também existe a de que não irá voltar a andar, e que ela é a provável por conta da idade, elas compreenderam um pouco melhor. Já estou atendendo ela há algumas semanas e já se notou melhora respiratória e aumento de força nas pernas, mas é claro que logo, esta melhora irá estacionar, e manteremos em uma constante este patamar, para que ela tenha qualidade de vida ao longo destes próximos tempos que ainda passará aqui. 

Às vezes esquecemos de colocar na balança e pensar, o que de fato é o melhor para os nossos familiares, não é mesmo?

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